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Currículo para estágio: como montar o seu, seção por seção

Como montar um currículo para estágio seção por seção: modelo em uma coluna, itens reescritos com antes e depois e o que a triagem lê primeiro.

Por Equipe Primeira Vaga18 min de leitura

Folha em branco, lápis, notas adesivas lilás e amarelas, óculos e caneca verde sobre uma mesa roxa, vistos de cima

Um currículo para estágio bom cabe em uma página, em uma coluna, e mostra logo no topo a vaga que você quer e as três ou quatro coisas que você fez que provam que dá conta dela. Não precisa de experiência formal: precisa transformar o que você fez na faculdade (empresa júnior, iniciação científica, monitoria, extensão, projeto, atlética) em itens com verbo, escopo e resultado. Abaixo você monta o seu seção por seção, vê itens reescritos com antes e depois, copia um modelo e aprende a descobrir se o problema está no arquivo, no alvo ou no volume.

O que o recrutador e a triagem leem primeiro

Antes de escrever uma linha, entenda quem vai ler. Seu currículo passa por dois leitores: um sistema, que extrai o texto e organiza as candidaturas, e uma pessoa, que bate o olho e decide se vale ler com calma.

A pessoa lê rápido. No estudo de rastreamento do olhar da Ladders, empresa americana de vagas, a triagem inicial de um currículo durou em média 7,4 segundos em 2018. É um estudo dos EUA, que não informa quantos recrutadores participaram, então use como ordem de grandeza: a primeira leitura é uma passada de olho, não uma leitura.

A primeira leitura de um currículo é uma passada de olho

7,4 segundosduração média da triagem inicial no estudo da Ladders (EUA, 2018)

Fonte: Ladders, Eye-Tracking Study, 2018 (PDF oficial da Ladders, cópia arquivada no Internet Archive)

Segundo o comunicado da Ladders sobre o mesmo estudo, os currículos que se saíram melhor tinham layout simples, títulos de seção bem marcados e cargos em negrito seguidos de uma lista de realizações. Os piores tinham layout poluído, frases longas, várias colunas e pouco espaço em branco. Para você, isso quer dizer duas coisas. Primeiro, o título de cada item precisa dizer algo (“Diretor de Projetos, Empresa Júnior de Administração”), não só “Membro”. Segundo, o desenho não pode atrapalhar a passada de olho.

E o sistema? Muita gente acha que “o robô reprova”. Os dados disponíveis contam outra história. Em entrevistas da Enhancv com 25 recrutadores dos EUA (uma amostra pequena, de setembro e outubro de 2025), 92% disseram que o sistema deles não reprova currículos sozinho por formato, conteúdo ou design. O filtro de verdade, para eles, eram as perguntas eliminatórias: 84% disseram depender delas para filtrar autorização de trabalho, certificações ou localização.

Nos EUA, o filtro automático mais citado é a pergunta eliminatória, não o layout
  • dizem que o sistema não reprova currículo sozinho92%
  • usam perguntas eliminatórias para filtrar84%

Fonte: Enhancv, entrevistas com 25 recrutadores dos EUA (setembro e outubro de 2025), artigo 'Does ATS reject resumes?'

Se você se candidata pela Gupy, vale saber como ela funciona. Segundo o blog da própria Gupy para empresas, a Gaia, inteligência artificial da plataforma, faz uma pré-triagem que ranqueia os perfis com uma pontuação de 0 a 100 de afinidade com a vaga. E, segundo o aviso de privacidade da Gupy para candidatos, essa inteligência artificial não elimina nenhum currículo nem aprova ou reprova ninguém: as decisões são tomadas pela pessoa recrutadora ou gestora da vaga.

Junte as peças e a conclusão é prática. O sistema ordena; a pessoa decide, e decide rápido. Então o seu trabalho é: responder com verdade às perguntas eliminatórias, preencher os campos do cadastro com o mesmo cuidado do arquivo, usar as palavras da vaga e deixar o que importa no lugar onde o olho cai primeiro.

Uma diferença que quase ninguém explica: nas plataformas, existe o cadastro (os campos do formulário: formação, experiências, idiomas, habilidades) e existe o arquivo anexado (o PDF). Segundo a própria Gupy, os agentes de IA dela analisam os campos de habilidades e de experiência do cadastro, e não as informações que ficam fora dos campos estruturados. Se você caprichou no PDF e deixou o cadastro pela metade, o que o sistema vê é o cadastro pela metade. O detalhe de como preencher cada campo da Gupy é assunto do guia de currículo para Gupy; aqui, guarde a regra: o que está no PDF precisa estar também nos campos.

A estrutura em uma página: a ordem das seções para estudante

Para quem está na faculdade, a ordem que funciona é a que coloca primeiro o que você tem de mais forte. E o mais forte do estudante quase nunca é “experiência profissional”. É a formação somada ao que você fez dentro e fora da faculdade.

A ordem das seções no currículo de estudante
  1. 1Cabeçalhonome, cidade, telefone, e-mail, LinkedIn
  2. 2Objetivouma linha com o nome da vaga
  3. 3Formaçãocurso, faculdade, período e previsão de formatura
  4. 4Experiênciasestágio, empresa júnior, IC, monitoria, extensão, projetos
  5. 5Habilidades e idiomassó o que a vaga pede, com nível honesto
  6. 6Cursos e atividadeso que soma para a vaga

Por que essa ordem? Porque o recrutador de estágio quer saber três coisas em sequência: se você está no curso e no período que a vaga aceita (formação), se você já fez alguma coisa parecida com o que vai fazer lá (experiências) e se tem as ferramentas mínimas (habilidades). O objetivo no topo diz se você está no processo certo.

Repare no que ficou de fora: foto, data de nascimento, estado civil, CPF, endereço completo, “pretensão salarial”, “referências a pedido”. Nada disso ajuda a ser chamado para estágio, e tudo isso ocupa espaço que poderia mostrar o que você fez.

Cabeçalho e objetivo com o nome da vaga

O cabeçalho tem uma função: deixar fácil falar com você. Nome em destaque, cidade e estado (só isso, sem rua), telefone com DDD, um e-mail com seu nome e o link do LinkedIn. Se você é de áreas como design, computação ou comunicação, um link de portfólio ou repositório entra aqui também.

Duas armadilhas comuns. A primeira é o e-mail antigo, aquele apelido da adolescência: crie um com nome e sobrenome. A segunda é o link do LinkedIn cheio de letras e números aleatórios: personalize o endereço do perfil antes de colocá-lo no currículo.

Logo abaixo do nome vem o objetivo. Uma linha. Com o nome da vaga como ela aparece no anúncio:

  • Ruim: “Busco uma oportunidade para crescer profissionalmente e aplicar meus conhecimentos.”
  • Bom: “Estágio em Marketing Digital”
  • Bom: “Estágio em Engenharia de Produção, área de Qualidade”

A primeira frase serve para qualquer pessoa em qualquer vaga, então não diz nada. A linha com o nome da vaga faz o recrutador saber em um segundo que você está no lugar certo, e ainda repete uma palavra que a triagem procura. Se quiser, troque essa linha por um resumo de três linhas sobre quem você é; a diferença entre objetivo e resumo profissional tem um guia próprio, mas para estágio a linha simples quase sempre basta.

Formação: o que pôr além do curso e do semestre

Para estágio, formação é seção forte, então capriche. O básico: nome do curso, nome da faculdade, o período atual e o mês e ano previstos para a formatura. A previsão de formatura importa porque há vagas de estágio que exigem um tempo mínimo até você se formar, e o recrutador confere isso logo de cara.

O que dá para pôr além disso, quando for verdade e conversar com a vaga:

  • Disciplinas ligadas à vaga. Vai para estágio em finanças? “Disciplinas cursadas: Matemática Financeira, Contabilidade Gerencial, Análise de Investimentos.”
  • TCC ou projeto de disciplina relevante, com o tema numa linha.
  • Bolsa por mérito, prêmio ou monitoria (se não for virar item próprio em Experiências).
  • Intercâmbio ou disciplina cursada fora.

O que não precisa: ensino médio (só se você está nos primeiros períodos e ele tem algo relevante, como curso técnico na área) e a nota média, a não ser que a vaga peça. Quando pedir, informe do jeito que a vaga pede, sem arredondar.

Experiências: empresa júnior, iniciação científica, monitoria e projetos contam

Esta é a seção em que muita gente trava. “Não tenho experiência” é um pensamento frequente de quem está montando o primeiro currículo, e não é só impressão: na pesquisa de empregabilidade do Instituto Semesp com 4.106 egressos do ensino superior (2026), a falta de experiência na área foi a dificuldade mais citada para conseguir trabalho remunerado depois de formado, com 42,8% (cada pessoa podia marcar mais de uma opção).

Só que “experiência” no currículo de estágio não é sinônimo de carteira assinada. Conta tudo em que você assumiu uma tarefa, entregou alguma coisa e pode contar o que aconteceu:

  • empresa júnior, Enactus, PET, liga acadêmica;
  • iniciação científica e grupo de pesquisa;
  • monitoria e projeto de extensão;
  • atlética, centro acadêmico, comissão de formatura, organização de evento;
  • TCC e projetos de disciplina com entrega real;
  • voluntariado, trabalho informal, negócio próprio, freela;
  • projeto pessoal (um site, uma análise de dados, um canal, um app).

A própria Lei do Estágio reconhece parte disso: no ensino superior, extensão, monitoria, iniciação científica e intercâmbio podem ser equiparados ao estágio quando o projeto pedagógico do curso prevê isso. Não é garantia de que toda empresa vá tratar assim, mas é um bom argumento contra a ideia de que “isso não conta”.

E há um motivo para os recrutadores olharem para essas atividades. Segundo dados globais do LinkedIn (até janeiro de 2023), os recrutadores tinham 50% mais probabilidade de buscar candidatos por habilidades do que por anos de experiência. Na revisão de Sackett e colegas (2022), os anos de experiência tiveram validade de só 0,07 para prever desempenho no trabalho, contra 0,42 da entrevista estruturada. Ou seja: o tempo de casa diz pouco; o que você sabe fazer e consegue mostrar diz mais.

Qual habilidade mostrar? Nos EUA, 85% dos empregadores pesquisados pela NACE (185 respondentes, em 2026) procuram sinais de trabalho em equipe no currículo de universitários, e as habilidades mais buscadas são trabalhar em equipe, resolver problemas e se comunicar bem. É uma pesquisa americana, mas a lista vale como pista: suas atividades da faculdade são o lugar natural para provar essas três coisas.

Trabalho em equipe é o que o empregador procura no currículo do universitário (EUA)

85%dos empregadores da pesquisa NACE procuram sinais de trabalho em equipe

Fonte: NACE, Job Outlook 2026 Spring Update (artigo de 20/04/2026)

Como organizar a seção: chame de “Experiências” (não “Experiência profissional”, que faz você se sentir obrigado a ter emprego). Coloque do mais recente para o mais antigo, ou do mais relevante para a vaga para o menos relevante. Cada item tem: o título do que você fazia, onde, de quando a quando, e duas ou três linhas com o que você fez. Quais atividades contam e onde cada uma entra é o assunto do tema experiências da faculdade que contam no currículo; aqui o foco é escrever bem cada item.

Como escrever cada item: verbo, escopo e número (antes e depois)

Este é o ponto que mais muda o seu currículo para estágio, e o que muitos guias não mostram na prática. Um item fraco descreve um cargo. Um item forte descreve uma entrega.

A fórmula tem três partes:

  1. Verbo de ação no começo: organizei, criei, analisei, reduzi, atendi, conduzi, apresentei.
  2. Escopo: o que, para quem, com que ferramenta, em que tamanho.
  3. Resultado: um número que você consegue sustentar numa entrevista (quantidade de pessoas, de projetos, de dias, de clientes) ou uma consequência concreta.

Número aqui é número seu, contado por você: “3 projetos”, “40 participantes”, “2 semanas”. Se não tiver número, use a consequência: “adotado pela diretoria”, “virou material oficial da disciplina”.

Exemplo trabalhado: o currículo de um estudante fictício

O caso abaixo é um exemplo ilustrativo, inventado para mostrar a técnica. A Júlia (personagem fictícia) está no 5º período de Administração e quer estágio em Marketing. Os itens dela estavam assim:

Exemplo ilustrativo: os itens da Júlia, antes e depois

Antes

  • Membro da Empresa Júnior
  • Monitora de Estatística
  • Participação na atlética
  • Responsável pelas redes sociais

Depois

  • Consultora de Projetos, Empresa Júnior: conduzi pesquisa de mercado com 120 clientes de uma padaria do bairro e apresentei 4 recomendações ao dono
  • Monitora de Estatística: preparei listas de exercícios e atendi turmas de 40 alunos em plantões semanais por 2 semestres
  • Diretora de Marketing da Atlética: planejei a divulgação de 3 eventos e organizei a venda de ingressos pelo Instagram
  • Criei o calendário de posts da atlética no Canva e no Meta Business Suite, com publicação 3 vezes por semana

O que mudou em cada linha:

  • “Membro da Empresa Júnior” virou um cargo com função, um projeto concreto e um tamanho (120 clientes pesquisados, 4 recomendações). O recrutador de marketing lê “pesquisa de mercado” e reconhece a tarefa.
  • “Monitora de Estatística” ganhou o que ela fazia (listas, plantões) e o tamanho (turmas de 40, 2 semestres). Isso mostra comunicação e paciência sem precisar escrever “boa comunicação”.
  • “Participação na atlética” era invisível. Virou o item mais ligado à vaga de marketing: divulgação de eventos e venda pelo Instagram.
  • “Responsável pelas redes sociais” ganhou ferramentas (Canva, Meta Business Suite) e frequência. Ferramenta citada é palavra que a vaga costuma pedir.

Repare que nenhum item inventou nada. Os números são contagens simples que a Júlia consegue explicar se o entrevistador perguntar “como foi essa pesquisa?”. Essa é a regra de ouro: só escreva o que você consegue contar em dois minutos com detalhes. Para quem quer se aprofundar na fórmula, há um guia só sobre como descrever experiência no currículo.

Habilidades, idiomas e cursos: só o que a vaga pede

Aqui a tentação é encher. Não encha. A seção de habilidades funciona quando conversa com o anúncio.

Habilidades técnicas. Leia a vaga e liste as ferramentas e conhecimentos que ela pede e que você de fato usa: Excel, Power BI, SQL, Python, AutoCAD, Figma, Google Analytics. Seja específico (“Excel: tabela dinâmica e PROCV” diz mais que “Pacote Office”). Se está aprendendo, diga: “Power BI (em curso)”.

Habilidades comportamentais. Escrever “proativo, comunicativo, trabalho em equipe” numa lista não prova nada, e todo mundo escreve. A prova está nos itens de Experiências: “conduzi”, “apresentei”, “organizei com uma equipe de 6”. Se quiser uma linha de competências, deixe curta e deixe o resto para os itens. O tema das soft skills no currículo tem guia próprio.

Idiomas. Idioma e nível honesto: básico, intermediário, avançado, fluente. Se tiver certificado, cite. Não escreva “inglês avançado” se você trava numa conversa: o nível pode ser testado na entrevista, às vezes de surpresa.

Cursos. Só os que somam para a vaga, com instituição e carga horária quando ajudar. Curso de oratória para vaga de vendas, sim. Lista de quinze cursos online soltos, não.

Uma tabela para decidir o que entra:

ItemEntra se…Fica de fora se…
Ferramenta (Excel, Python, Figma)a vaga pede ou é da área e você usa de verdadevocê abriu uma vez
Idiomavocê sabe dizer o nível com honestidadeo nível é chute para “parecer melhor”
Curso livreensina algo que a vaga usaé só para encher a seção
Soft skill em listafor uma linha curtaocupar mais espaço que os itens que provam
Certificaçãoa vaga cita ou é exigida na áreavenceu ou não tem relação com a vaga

Um formato que a triagem consegue ler

O formato não é detalhe estético. É o que garante que o texto chegue inteiro ao sistema e ao olho do recrutador.

Uma coluna. Modelos em duas colunas (com uma barra lateral colorida) são bonitos, mas quando a plataforma extrai o texto do PDF, a leitura pode misturar as colunas linha por linha. Seu cargo da empresa júnior vira uma frase colada com “Inglês: intermediário”. Em uma coluna, a ordem de leitura é a ordem do papel.

Títulos de seção claros e padrão. “Formação”, “Experiências”, “Habilidades”, “Idiomas”. Nada de “Minha jornada” ou “O que eu sei fazer”. O estudo da Ladders já apontava títulos de seção bem marcados nos currículos que se saíram melhor, e várias colunas nos piores; e nomes padrão ajudam a triagem a saber onde está cada coisa.

Sem tabelas, ícones e barras de nível. Barrinha de “inglês: quatro de cinco bolinhas” não diz nada a ninguém e pode sumir na leitura. Ícone de telefone no lugar da palavra “Telefone” pode virar um caractere estranho.

Fonte comum, tamanho legível. Arial, Calibri, Helvetica, Garamond. Tamanho entre 10 e 12 no corpo. Margens que respiram.

PDF de texto, não imagem. Exporte direto do Word, do Google Docs ou do Canva como PDF. Teste: abra o PDF e tente selecionar uma frase com o mouse. Se não seleciona, é imagem, e a triagem pode não conseguir ler o texto. Teste dois: copie tudo e cole num bloco de notas. Se o texto colado sai na ordem certa, o arquivo está bom.

Nome do arquivo. “Julia-Souza-Curriculo-Estagio-Marketing.pdf” em vez de “curriculo final versão 3 agora vai.pdf”.

O guia de currículo ATS aprofunda esse lado técnico e o de currículo no Canva mostra como usar a ferramenta sem cair no layout de duas colunas. Para entender o caminho inteiro da sua candidatura depois do clique, veja o tema candidatura e triagem.

Um currículo por tipo de vaga: programa de estágio, startup, área

Mandar o mesmo arquivo para tudo desperdiça a chance de mostrar o que cada vaga procura. Você não precisa reescrever do zero: precisa de uma base e de ajustes rápidos por tipo de vaga.

Tipo de vagaO que o recrutador procuraO que ajustar no currículo
Programa de estágio de grande empresaperíodo e formatura dentro da regra, inglês, atividades de liderançadeixe formação e previsão de formatura bem visíveis; responda às perguntas eliminatórias com cuidado; destaque liderança em EJ, CA, atlética ou PET
Startup ou empresa pequenagente que faz, aprende rápido e mexe em ferramentacoloque projetos e entregas no topo das experiências; cite ferramentas; inclua portfólio ou repositório
Vaga técnica da área (engenharia, dados, direito, saúde)base técnica e prática específicadisciplinas e projetos técnicos, iniciação científica, laboratório, softwares da área; tire o que não for da área
Vaga de atendimento, vendas ou operaçõescomunicação, organização, constânciamonitoria, atendimento, eventos, trabalho informal; itens com volume (pessoas atendidas, eventos organizados)

Na prática, o ajuste por vaga leva poucos minutos:

  1. Troque a linha de objetivo pelo nome da vaga.
  2. Releia o anúncio e marque as palavras que se repetem (ferramentas, tarefas, área).
  3. Confira se essas palavras aparecem no seu currículo, onde forem verdade. Se você fez, escreva com o mesmo nome que a vaga usa (“análise de dados” e não só “planilhas”).
  4. Suba para o topo das experiências o item mais parecido com a vaga.

Adaptar o conteúdo à vaga tem um guia só dele, assim como o currículo para trainee, que segue outra lógica.

Modelo de currículo para estágio para copiar

Abaixo, um modelo em uma coluna com os dados de um estudante fictício. É um exemplo: troque tudo pelos seus dados reais e apague o que não se aplicar.

[EXEMPLO FICTÍCIO]

JÚLIA SOUZA
Belo Horizonte, MG | (31) 9XXXX-XXXX | julia.souza@email.com | linkedin.com/in/juliasouza

Estágio em Marketing Digital

FORMAÇÃO
Bacharelado em Administração, Universidade Exemplo
5º período | Formatura prevista: julho de 2028
Disciplinas ligadas à vaga: Marketing, Comportamento do Consumidor, Estatística

EXPERIÊNCIAS
Consultora de Projetos | Empresa Júnior de Administração | mar 2026 a atual
- Conduzi pesquisa de mercado com 120 clientes de uma padaria do bairro
- Apresentei 4 recomendações de divulgação ao dono, 2 delas adotadas

Diretora de Marketing | Atlética do Curso | jan 2026 a atual
- Planejei a divulgação de 3 eventos e organizei a venda de ingressos pelo Instagram
- Criei o calendário de posts no Canva, com publicação 3 vezes por semana

Monitora de Estatística | Universidade Exemplo | ago 2025 a jul 2026
- Preparei listas de exercícios e atendi turmas de 40 alunos em plantões semanais

Projeto de extensão: Comunicação para Pequenos Negócios | fev a jun 2025
- Montei com uma equipe de 5 colegas o perfil de Instagram de uma feira local

HABILIDADES
Canva, Meta Business Suite, Google Analytics (em curso), Excel (tabela dinâmica e PROCV)

IDIOMAS
Inglês: intermediário | Espanhol: básico

CURSOS
Marketing Digital, Escola Exemplo, 40 horas

Repare no que o modelo faz: o objetivo é o nome da vaga; a formatura prevista está à vista; cada experiência tem cargo, lugar, período e linhas que começam com verbo; as habilidades são ferramentas, não adjetivos; e tudo cabe em uma página. Para gerar o PDF, copie para o Word ou o Google Docs, use uma fonte comum, coloque os títulos de seção em negrito e exporte como PDF. Depois faça o teste de selecionar e colar o texto.

Se você já tem um currículo e quer saber o que está travando a sua candidatura, o diagnóstico grátis da Primeira Vaga mostra em que etapa você trava antes de você reescrever tudo.

Mandou 50 e nada? Arquivo, alvo ou volume

Se você já mandou dezenas de candidaturas e ninguém chamou, não saia reescrevendo o currículo pela décima vez. Primeiro descubra onde está o problema. Há três suspeitos, e cada um tem um teste.

Exemplo ilustrativo: o funil de quem trava na triagemExemplo ilustrativo
  1. Candidaturas enviadas50
  2. Chamadas para teste ou entrevista2
  3. Entrevistas com gestor0
SuspeitoSinalTesteO que fazer
Arquivoo texto do PDF não se seleciona, sai embaralhado ao colar ou o cadastro está incompletocopie o PDF num bloco de notas; abra seu cadastro na plataforma e compare com o PDFrefaça em uma coluna; preencha todos os campos do cadastro
Alvovocê não cumpre requisito obrigatório (curso, período, formatura, cidade, idioma)releia 10 vagas que você mandou e marque o que não cumpriacandidate-se só onde cumpre o obrigatório; responda as perguntas eliminatórias com verdade
Volumepoucas candidaturas por semana, ou todas no mesmo tipo de empresaconte quantas mandou nas últimas 4 semanas e para que tipo de vagadefina uma meta semanal de candidaturas bem feitas e varie os tipos de vaga

Como usar a tabela: comece pelo arquivo, porque é o mais rápido de checar e o que mais engana. Depois o alvo, porque candidatar-se a vaga cujo requisito você não cumpre é o jeito mais certo de não ser chamado (lembre que a pergunta eliminatória é o filtro automático mais citado na pesquisa da Enhancv). Por último o volume: às vezes o currículo está bom e o problema é que “dezenas” eram poucas candidaturas espalhadas por meses.

Mude uma coisa por vez e conte de novo depois de algumas semanas. Se você passa a ser chamado e trava depois, o problema saiu do currículo e foi para a entrevista. É essa conta de etapa por etapa que o diagnóstico da Primeira Vaga faz com você. Os outros guias do tema estão em currículo e LinkedIn, incluindo os que tratam do perfil do LinkedIn para estágio e da carta de apresentação.

O que fazer hoje

  • Teste seu PDF: selecione o texto e cole num bloco de notas. Saiu embaralhado? Passe para uma coluna.
  • Troque a primeira linha pelo nome da vaga que você mais quer.
  • Reescreva os dois itens mais fracos com verbo, escopo e um número que você consegue explicar.
  • Abra seu cadastro na Gupy (ou na plataforma que mais usa) e preencha o que está faltando.
  • Conte as candidaturas das últimas 4 semanas e anote quantas viraram teste ou entrevista.
  • Quer ver o caminho inteiro, do currículo à entrevista? Veja como funciona a Primeira Vaga ou leia mais no blog.

Perguntas frequentes

O que colocar num currículo para estágio se eu nunca trabalhei?

Coloque o que você fez na faculdade e fora dela: empresa júnior, iniciação científica, monitoria, extensão, PET, Enactus, atlética, centro acadêmico, TCC, voluntariado e projetos. Cada item ganha um verbo, o que você fez de fato e um resultado que dá para conferir. Quem recruta para estágio sabe que você está no meio do curso: o que o item precisa mostrar é que você entrega.

Currículo para estágio precisa ter objetivo?

Precisa de uma linha logo abaixo do nome com a vaga que você quer, nos termos da vaga: 'Estágio em Marketing' ou 'Estágio em Engenharia de Produção'. Não escreva um parágrafo sobre crescer profissionalmente. Essa linha mostra em segundos se você está no lugar certo, e você troca a linha a cada tipo de vaga.

Currículo para estágio pode ter duas páginas?

Para estágio, uma página resolve quase sempre. Quem está na faculdade raramente tem conteúdo bom para duas, e a segunda página costuma ser enchimento: cursos soltos, habilidades genéricas, dados pessoais demais. Se passou de uma página, corte o que não conversa com a vaga antes de diminuir a fonte.

Posso usar modelo do Canva com duas colunas e foto?

Pode, mas o risco não compensa. Layout em colunas, ícones e barras de nível podem embaralhar a leitura quando a plataforma extrai o texto do PDF, e a foto ocupa espaço sem mostrar nada do que você fez. Um arquivo em uma coluna, com títulos de seção claros e fonte comum, é lido do mesmo jeito por pessoa e por sistema.

A Gupy reprova meu currículo automaticamente?

Segundo o aviso de privacidade da Gupy para candidatos, a inteligência artificial da plataforma não elimina nenhum currículo nem aprova ou reprova ninguém: as decisões são de quem recruta. A plataforma organiza os perfis por afinidade com a vaga, por isso o que você preenche no cadastro e as palavras da vaga contam.

Devo mandar o currículo para estágio em PDF ou Word?

Mande em PDF gerado direto do editor de texto, nunca uma foto ou um documento escaneado, para que o texto possa ser selecionado e lido. Dê ao arquivo um nome claro, como 'Nome-Sobrenome-Curriculo-Estagio'. Se a vaga pedir outro formato, siga o que a vaga pede.

Mandei muitos currículos e ninguém me chamou. O problema é o currículo?

Talvez não. Separe três causas: o arquivo (não é lido ou não mostra o que a vaga pede), o alvo (vagas em que você não cumpre requisito obrigatório) e o volume (poucas candidaturas boas). Conte quantas candidaturas mandou, quantas viraram teste ou entrevista, e mude uma coisa por vez.

Referências

  1. Ladders, Eye-Tracking Study, 2018 (PDF oficial da Ladders, cópia arquivada no Internet Archive). Período: 2018. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  2. Ladders, comunicado 'Ladders Updates Popular Recruiter Eye-Tracking Study With New Key Insights on How Job Seekers Can Improve Their Resumes' (novembro de 2018), republicado na íntegra pelo Onrec em 07/11/2018. Período: 2018. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  3. LinkedIn, Future of Recruiting 2023 (relatório global). Período: Dados da plataforma até janeiro de 2023. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  4. NACE, Job Outlook 2026 Spring Update (artigo de 20/04/2026). Período: Pesquisa de 12/02 a 17/03/2026 (185 respondentes). Consultado em 7 de outubro de 2026.
  5. Enhancv, entrevistas com 25 recrutadores dos EUA (setembro e outubro de 2025), artigo 'Does ATS reject resumes?'. Período: Setembro e outubro de 2025. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  6. Gupy, Aviso de Privacidade da Gupy Recrutamento e Seleção para Pessoas Candidatas (versão vigente em 07/10/2026). Período: Versão do aviso em vigor em 07/10/2026. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  7. Gupy, blog 'Como usar a inteligência artificial para recrutar' (publicado em 09/09/2019, atualizado em 28/04/2025). Período: Texto atualizado em 28/04/2025. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  8. Gupy, página 'Como passar pelos agentes de IA da Gupy: estratégias para se destacar' (seção O que os agentes de IA realmente analisam), versão no ar em 07/10/2026. Período: Versão da página no ar em 07/10/2026 (sem data de publicação visível). Consultado em 7 de outubro de 2026.
  9. Instituto Semesp, Pesquisa sobre Empregabilidade dos Egressos do Ensino Superior Brasileiro 2026 (5ª edição). Período: Coleta de 8 de julho a 23 de agosto de 2026. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  10. Sackett, Zhang, Berry e Lievens, Revisiting meta-analytic estimates of validity in personnel selection, Journal of Applied Psychology, 107(11), 2040-2068, 2022 (DOI 10.1037/apl0000994), Tabela 3 do manuscrito aceito, de acesso aberto, no repositório da Singapore Management University (página do repositório: https://ink.library.smu.edu.sg/lkcsb_research/6894). Período: Artigo de 2022. Consultado em 7 de outubro de 2026.
  11. Presidência da República, Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008 (Lei do Estágio), texto compilado vigente no Planalto. Período: Redação vigente desde a Lei nº 14.913, de 2024. Consultado em 7 de outubro de 2026.

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